O Setor elétrico sempre foi desafiador para o consumidor brasileiro: alta volatilidade de preços e mudança de regras constantes. Este ambiente instável, não favorece o planejamento de médio/longo prazo, adicionando risco considerável mesmo para o consumidor que se planeja.
Este ano, a “surpresa” adicionada à conta dos consumidores é uma variável conhecida, porém que a muito tempo não atingia o patamar atual: Encargos de Serviços do Sistema na ordem de R$ 40/MWh.
Este valor de Encargos corrige uma discrepância entre o valor do PLD divulgado e o custo real de acionamento de usinas térmicas que compreendam a necessidade atual de armazenamento de água e segurança do setor.
Quem habita o setor elétrico desde 2013, sabe que vivemos algo parecido na época. Naquele momento, houve esforço do setor, que permaneceu ao longo dos últimos anos, sempre adaptando os modelos para corresponder à realidade, sem quase a necessidade de acionamento das térmicas fora da ordem de mérito.
Acionar térmicas fora da ordem de mérito, significa que o preço divulgado pelo modelo de preços não está aderente à realidade, logo, o mercado não está recebendo o sinal correto.
Todos os consumidores livres e cativos participam deste rateio, porém, consumidores livres recebem este impacto na conta imediatamente. Já os consumidores cativos, receberão esta “surpresa” na data do reajuste anual da distribuidora local, acrescida de juros.
O que parece correto a ser feito, é ajustar novamente o modelo de preço, para que o mesmo volte a estar aderente a necessidade e segurança do sistema. Ou seja, trazer para “dentro” do modelo o custo de operação destas usinas que hoje estão sendo acionadas por “fora”. Agora ficam as questões: Quando será realizada esta atualização? Ou até mesmo, se será feita esta atualização? “
Lembrando que, o pior custo para qualquer negócio, é o que não podemos prever.
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